Cigarros eletrônicos não são terapias seguras de combate ao tabagismo, afirma Donald M. Lloyd-Jones

Médico norte-americano participou do Congresso Brasileiro/Mundial de Cardiologia, em atividade que debateu o enfretamento e controle do tabagismo


Na manhã deste primeiro dia do 77° Congresso Brasileiro de Cardiologia, 13, que ocorre concomitante com o WCC (World Congress of Cardiology), a atividade sobre o enfrentamento do tabaco, que ocorreu no auditório 02, abordou as atuais formas de se combater o tabagismo, tanto no Brasil quanto em outros países do mundo.


Durante a palestra, participaram profissionais importantes que atuam no controle dos problemas causados pelo tabagismo, como Mônica Andreis, psicóloga e mestre em psicologia clínica pela USP e vice-diretora da ACT (Associação de Controle do Tabagismo), além de Donald M. Lloyd-Jones médico epidemiologista e professor da Northwestern University.


Mônica Andreis destacou que o número de fumantes diminuiu no Brasil – em 1989 eram 34% da população e em 2019 as pesquisas estimam entre 12,8% (PNS) e 9,8% (VIGITE) dos brasileiros. Apesar disto, a psicóloga ressalta que os números ainda são alarmantes, como por exemplo, o fato de o cigarro ser responsável por 16 a 20% das doenças cardiovasculares, sendo o tabagismo um fator de risco muito importante para as DCV.


Ainda, Andreis destacou o papel nocivo da indústria do tabaco, que atua fortemente e de diferentes maneiras para propagar mitos a respeito do consumo de cigarros, a exemplo de um estudo publicado durante a pandemia de Covid-19 que afirmou que os fumantes corriam menos risco de desenvolver a forma grave da doença causada pelo novo coronavírus. Mônica explicou que este estudo possui grande conflito de interesse e teve que ser desmentido pelas autoridades e instituições de saúde pública.


Outro destaque da palestra diz respeito ao uso de cigarros eletrônicos. Donald Lloyd-Jones abordou um estudo que demonstra que, apesar de os cigarros eletrônicos, quando utilizados com acompanhamento médico, ajudarem pacientes a diminuírem o uso de cigarros normais, eles ainda não são considerados completamente seguros. Isto porque a pesquisa que foi exposta mostrou que as pessoas que param usar os cigarros convencionais, acabam desenvolvendo dependência de cigarros eletrônicos. Este número foi observado em 3% a 4% das pessoas que participaram da pesquisa. Deste modo, o médico afirmou que não é possível atestar segurança desta terapia a longo prazo.


Além disso, outras profissionais que atuam no controle do tabaco participaram do tema, como Katie Dain (Reino Unido), Beatrice Champagne (Estados Unidos) e Anne Lyse Riel (Noruega)