Técnica moderna para o tratamento da Estenose Aórtica será incorpora ao SUS


Estima-se que 5% da população mundial acima de 75 anos sejam portadores da doença. Com a longevidade, o impacto da estenose aórtica na saúde do brasileiro passou a ter grande importância



O Ministério da Saúde anunciou que vai incorporar, em breve, uma nova técnica para a TAVI, destinada ao tratamento da estenose aórtica, doença que se caracteriza pelo estreitamento progressivo da via de saída do sangue bombeado pelo coração para todos o corpo. O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, anunciou que a portaria já está aprovada e passará a valer em 180 dias após publicada no DOU, o que deve ocorrer nos próximos dias. O procedimento estará disponível nos principais centros de referência. Com o avanço da idade, a válvula aórtica pode tornar-se espessada e calcificada, determinando a redução na sua mobilidade e dificultando a ejeção e circulação do sangue.

A estenose aórtica evolui com o passar da idade. Estima-se que 5% da população mundial acima de 75 anos sejam portadores da doença. Com a longevidade, o impacto da estenose aórtica na saúde do brasileiro passou a ter grande importância. Em 2019, tínhamos mais de 30 milhões de idosos acima de 75 anos, o que indica mais de 1,5 milhão de portadores da doença no país atualmente. Em 2050, a expectativa é que esse número ultrapasse a casa dos 90 milhões segundo o IBGE.  

"Estamos assistindo à evolução de uma doença cardíaca ainda desconhecida pela maioria das pessoas, mas que nas próximas décadas será tão popular quanto infarto", explica o diretor científico da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Paulo Caramori. Há 20 ou 30 anos atrás pouco se falava sobre estenose aórtica. “As pessoas morriam mais cedo de doenças cardiovasculares e não tinham tempo de vida necessário para desenvolver a doença”, afirma.

Após o surgimento dos sintomas, a mortalidade em dois anos pode chegar a 50%. Os principais sintomas são falta de ar e dor no peito. De modo menos comum, podem ocorrer também crises de arritmia ou desmaios.

Não existem tratamentos medicamentosos para a estenose aórtica. Controlar os principais fatores de risco cardiovasculares pode retardar o surgimento da doença, embora não haja ainda evidências seguras sobre isso. 

Cirurgia arriscada

Há pouco mais do que 10 anos, a única maneira de salvar a vida de um paciente com estenose aórtica era por meio de uma cirurgia extensa, longa e bastante arriscada, ainda mais se tratando de pacientes predominantemente idosos. Era necessário abrir o tórax e extrair a válvula aórtica totalmente calcificada e entupida.

Depois, substituía por uma nova válvula para que a circulação pudesse ser restabelecida. Além de altas taxas de complicações e intercorrências, a recuperação destes pacientes levava várias semanas e alguns destes pacientes não sobrevivem, motivo que desde então vem inquietando cardiologistas do mundo todo a encontrar uma forma mais segura e simples de resolver o problema. "Dependendo da fragilidade, em muitos casos, não se recomenda a cirurgia, ficando o paciente sem qualquer alternativa que pudesse ajudar na sobrevivência ", explica Caramori.

 TAVI cria cenário mais positivo 

A TAVI realiza de maneira mais simples e eficaz o mesmo procedimento que antes era alcançado apenas com cirurgia. Com maior segurança e índices de sucesso superior à técnica cirúrgica convencional, o procedimento hoje já está disponível em diversos centros de referência no país e tem o custo coberto pelos planos de saúde.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) vinha dialogando com o Ministério da Saúde para que a TAV fosse incorporada pelo SUS. "As vantagens são muito favoráveis.  O que se reduz em custo com hospitalização compensa o investimento na tecnologia. Finalmente fomos atendidos ", destaca Caramori. Após o procedimento, na maioria das vezes, o paciente passa algumas horas em observação e no mesmo dia ou no dia seguinte já está em casa.

A recuperação é imediata. Após a substituição da válvula entupida, o paciente rapidamente retoma à normalidade da circulação no local. "Trata-se de mais um grande passo rumo à uma longevidade ainda maior. Se boa parte dos brasileiros que atingiriam a média da expectativa de vida no país morreriam de Estenose Aórtica, hoje, estes mesmos pacientes podem viver mais 10, 20 anos. É um avanço importante", conclui.