Novidades no tratamento cirúrgico da insuficiência cardíaca são discutidas no WCC 2022

Tópicos sobre novas tecnologias, dispositivos de assistência ventricular esquerda, coração artificial total, xenotransplantes e bioimpressão de órgãos foram apresentados

O terceiro dia do World Congress of Cardiology 2022 (WCC 2022) foi marcado por discussões sobre inovação. Durante a tarde, a mesa redonda Tratamento cirúrgico da insuficiência cardíaca discutiu as novas alternativas cirúrgicas no tratamento da insuficiência cardíaca avançada. Coordenada por Michael Mack, Baylor Scott & White Health (EUA), o debate contou com a presença dos cardiologistas do Instituto do Coração (InCor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, Silvia Moreira Ayub Ferreira e Fabio Biscegli Jatene.


Segundo Jatene, os dispositivos de assistência ventricular esquerda nasceram com a ideia de se criar dispositivos que pudessem suportar a vida até que se pudesse realizar um transplante. Hoje, destaca o cardiologista, o uso mais frequente no mundo é como terapia de destino (55%).


“Eles são muito caros a princípio, mas ao longo dos anos os benefícios vão diluindo o custo do aparelho. Somente com o tratamento clínico, as reinternações aumentam o custo do tratamento”, afirma Jatene.


Atualmente, os principais dispositivos usados são de fluxo axial (15 mil casos), fluxo magnético híbrido (6 mil casos) e levitação magnética (3-4 mil). Embora nessa área tenha ocorrido grande avanço, Silvia destaca que o coração artificial total não teve o mesmo desenvolvimento dos dispositivos de assistência ventricular esquerda.


A cardiologista destaca que existem apenas dois dispositivos avaliados clinicamente, o Carmat e o Sincardia, e somente como ponte para transplante. No entanto, os resultados são positivos, em especial em casos em que há perspectiva de falência de ventrículo direito no momento da implantação no esquerdo.


Jatene também destacou que a bioimpressão de órgãos na cardiologia ainda está na sua infância e que muitos anos de pesquisa serão necessários. Na área do xenotransplante, órgãos de espécies não-humanas geneticamente modificadas, embora já existam iniciativas isoladas, resultados satisfatórios ainda estão distantes. “O processo de engenharia genética ainda está em evolução em relação a quais genes devem ser suprimidos”, afirma Jatene.