O que precisamos saber para avaliar e acompanhar quem teve covid-19?

Muitos pacientes apresentam doenças cardiovasculares decorrentes de um quadro grave da infecção pelo Sars-CoV-2, que podem ter, inclusive, peculiaridades. O congresso vai discutir os melhores caminhos para lidar com esses casos


Quando os organizadores do 77º Congresso Brasileiro de Cardiologia / World Congress of Cardiology (WCC 2022) começaram a se reunir para afinar a programação do evento, os tempos eram outros, recorda-se Carísi Anne Polanczyk, a quem coube ajudar a montar a grade sobre o impacto cardiovascular da covid-19.

A onda de casos provocada pelo Sars-CoV-2, então, ameaçava a subir novamente mundo afora por causa de novas variantes do coronavírus e o norte era revisitar tudo o que já tinha sido aprendido durante a pandemia, principalmente no que dizia respeito a lidar com o paciente com covid-19 que tinha alguma doença cardiológica prévia.



“Não que todo esse aprendizado não seja mais discutido no congresso, mas a nova fase da pandemia que vivemos, com um número muito menor de pessoas em estado grave e internadas, nos fez mudar a ênfase”, explica a médica. “O que mais preocupa o cardiologista hoje é como acompanhar esse indivíduo que pegou a covid-19, especialmente se ele teve um quadro muito severo.”


Faz sentido: boa parte desenvolveu complicações cardiológicas, ninguém sabe ao certo se pela infecção em si ou se pela temporada prolongada em UTI, como poderia acontecer com o paciente crítico de qualquer doença grave.


“O fato é que neste momento já sabemos que muitas dessas pessoas tiveram, no auge das manifestações da infecção, infartos e arritmias que até agora nós, cardiologistas, estamos acompanhando. Existem sequelas de longo prazo”, diz Carísi Polanczyk.


Isso, naquele período em que a programação do WCC 2022 começava a ser moldada, mal era discutido. “E mal era discutido porque, nas UTIs, o foco era fazer o paciente sobreviver, olhando muito mais para a questão pulmonar, o que é totalmente lógico e compreensível dentro daquele contexto”, explica a cardiologista.


Agora, porém, os serviços e os consultórios de cardiologia sentem o impacto. Até porque, ela lembra, também existem aqueles pacientes que, ao se recuperarem da infecção viral, mesmo de um quadro mais moderado, ficaram com diabetes e com hipertensão descontrolada.


“A programação do nosso congresso sobre esse tema foca, portanto, muito mais nessas consequências que precisamos manejar”, observa. “Não tenho dúvida de que, em função da pandemia, teremos um aumento de casos de doenças cardiovasculares nos próximos dois, três anos e queremos entender as eventuais peculiaridades que encontraremos pela frente.”



Covid-longa? Síndrome pós-covid?


"Até que ponto isso existe, no sentido de ser uma repercussão de médio ou longo prazo da infecção pelo coronavírus? E até que ponto o indivíduo já poderia ter um problema cardiovascular antes da covid-19 que simplesmente não tinha sido diagnosticado ainda?”, questiona Carísi Polanczyk.


Esse é o tipo de discussão que será levada para as salas do Riocentro, no Rio de Janeiro, onde o congresso acontecerá entre 13 e 15 de outubro.


Mas, claro, independentemente dos achados de trabalhos que tentam decifrar a covid-longa e de todo o debate, para o paciente o quadro é bem real e ele sofre. “Daí que devemos aproveitar um grande encontro da ciência, como esse, para alinharmos as melhores estratégias e ajudá-lo a sair dessa condição ou a controlá-la”, pondera.


Da mesma forma, pensa Carísi Polanczyk, é necessário que o evento discuta como os profissionais de saúde podem se preparar para novas epidemias ou até mesmo pandemias de uma infecção viral, na perspectiva cardiovascular.


Participar do WCC 2022 é isso: a chance de compartilhar suas ideias com líderes da cardiologia brasileira e mundial em discussões que são fundamentais na atualidade.


Confira todas as sessões sobre esse tema — que envolvem ainda orientação sobre prática esportiva, vacinas, atendimento à população pediátrica —, buscando pela área de covid-19 na programação que está no site.


Você também pode se inscrever agora mesmo no Congresso pelo link: https://www.worldcardio2022.com/inscricao.