Tudo está mudando: o olhar para o risco cardiovascular e os medicamentos

Esta é a sensação que ficará no participante do WCC 2022, ao acompanhar a programação voltada ao tratamento das dislipidemias e da aterosclerose, repleta de grandes nomes internacionais.


Se colocar lado a lado dois indivíduos — o cardiologista sabe disso! —, provavelmente o caminho para prevenir ou conter as dislipidemias e a doença aterosclerótica será diferente em um e em outro, conforme o risco de cada um. E, por sua vez, a avaliação do risco se torna cada vez mais precisa.



Não à toa, Andrei Sposito se anima quando começa a falar sobre o 77º Congresso Brasileiro de Cardiologia / World Congress of Cardiology (WCC 2022), que acontecerá de 13 a 15 de outubro no Centro de Convenções Riocentro, no Rio de Janeiro.


“Vamos juntar as maiores lideranças do mundo em avaliação de risco cardiovascular, seja por métodos voltados à aterosclerose subclínica, seja por métodos baseados em algoritmos”, diz ele, que integra o Comitê Científico do evento.


E faz questão de reforçar: “‘É evidente que, por ser um congresso mundial, há um número relevante de palestrantes internacionais. Mas não me empolgo pela quantidade e, sim, porque estarão no Brasil pessoas muito representativas da cardiologia moderna”,


Se alguém lhe pede um exemplo, Sposito dispara o nome de Salim Yusuf, da McMaster University Medical School, no Canadá. “Ele se encontra entre os cinco mais reputados epidemiologistas da atualidade”, justifica.


O congressista poderá conhecê-lo de perto contando o que se sabe, hoje em dia, sobre determinantes da doença cardiovascular (no dia 13 de outubro, às 9 horas, no auditório 10) e, ainda, na sessão Estratégias na prevenção cardiovascular (também no dia 13, mas às 15h40, no auditório 2), onde Yusuf falará sobre o papel da vacina da gripe.

Risco residual


A programação reserva um grande espaço para discutir aqueles casos em que há a persistência do risco cardiovascular, a despeito de o indivíduo já estar sendo medicado para reduzir o colesterol, controlar o diabetes ou o que for.


“Dá para dimensionar esse risco residual? Dá. É possível categorizar quem tem risco residual muito alto, moderado ou baixo? Sim, é perfeitamente possível”, afirma Sposito. “O grande desafio para todos nós não é fazer isso, mas saber o que fazer com isso, se me entendem E as apresentações do congresso se concentram nesse segundo ponto, nas propostas de intensificação das metas.”


Um questionamento que, na certa, será debatido no evento: naquela pessoa com risco residual elevado, atualmente se estabelece a meta de 50 miligramas de LDL por decilitro de sangue. "No entanto, não seria o caso de pensar em 40 miligramas por decilitro, quando esse paciente sofreu eventos recorrentes, na tentativa de aproximá-lo da faixa de risco absoluto que encontramos na população em geral?”, indaga Sposito.


Há diversas atividades sobre o tema. Não perca, entre elas, Risco residual e doença cardiovascular (dia 15 de outubro, às 9 horas, no auditório 2). Quem estiver na plateia, ficará frente à frente com ninguém menos do que Kausik Ray, do Imperial College London e presidente da Sociedade Europeia de Aterosclerose, discutindo as mudanças de paradigma no manejo das dislipidemias.

Diabetes e obesidade


Com prevalência crescente em todos os continentes, capaz de alavancar as doenças cardiovasculares, a obesidade é um tema mais explorado neste congresso do que vinha sendo nos anteriores.


O próprio Andrei Sposito participará de uma sessão que discutirá novas opções terapêuticas para perda de peso e como elas devem ser usadas no indivíduo com alguma cardiopatia (dia 15 de outubro, às 9 horas, no auditório 19).


Também há diversas atividades em torno do diabetes. No Joint Symposium SBC-Duke University, por exemplo, o americano Christopher Granger — outro nome espetacular no cenário da cardiologia — abordará a nova era no tratamento dessa doença (dia 14 de outubro, às 13h50, no auditório 2).


O fator genético


Esse ainda é um conhecimento bastante desafiador para o cardiologista — logo, não poderia ficar de fora do WCC 2022. E bem nessa área, para os médicos latino-americanos, será imperdível a apresentação de Carlos Aguilar Salinas a respeito da genética nas dislipidemias ( dia 14 de outubro, 15h10, no auditório 12).


Endocrinologista do Instituto Nacional de Ciencias Medicas y Nutricion, no México, ele tem feito investigações importantes sobre características da população da América Latina associadas ao diabetes e a outros fatores de risco cardiovascular. “Sua formação é das mais refinadas e, certamente, Salinas trará coisas muito boas para o congresso”, comenta Sposito.

Novas moléculas para tratar dislipidemias


Para muitos, porém, a “cereja do bolo” pode ser os tratamentos que estão por vir, muitos em ensaios clínicos em fase 2. O britânico Kausik Ray, em mais uma participação, dará uma aula sobre micromoléculas capazes de inibir a transcrição gênica do receptor do LDL (dia 15 de outubro, às 9 horas, no auditório 2).


“No caso, estamos falando das terapias com RNA de interferência, que poderão ser administradas a cada seis meses, sustentando reduções prolongadas de LDL”, explica Sposito. E ele lembra que, na mesma sessão, Raul Dias dos Santos abordará os novíssimos medicamentos para reduzir o LP (a).


Fique por dentro do que há de mais novo em conhecimento científico e na prática clínica ao lado dos grandes nomes da cardiologia mundial. Inscreva-se agora no WCC 2022 pelo link: https://www.worldcardio2022.com/inscricao.